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Volta completa em Ilha Grande (dia 4): De Provetá até Parnaioca

A parte menos conhecida e também a mais bonita de toda a ilha


Como toda viagem que eu planejo, sempre existe o dia "mais incerto". O quarto dia de andanças pela Ilha Grande seria desse jeito, isso porque eu teria que encarar o Costão do Demo, uma parte da trilha pelas pedras considerada fatal quando molhada, e ainda passar pela faixa que é reserva biológica (praias do Sul e do Leste), cujo acesso é negado pelos supostos fiscais que estariam no local. Mas, mesmo com essas incógnitas e de outros perrengues que viriam, nada vai se comparar com a beleza presenciada nessa região.


VILA DE PROVETÁ

O dia amanheceu com céu limpo apesar da chuva da madrugada e chegou a hora de partir do quartinho alugado por R$ 30 por pessoa, em frente à barraca de cachorro quente. O café da manhã foi na padaria (pães saídos do forno, queijo, presunto e toddynho, tudo por R$ 9), sim, a padaria valia ouro depois de dias andando sem ver uma. De manhã foi possível observar a beleza daquela praia de mar aberto e uma curiosidade: a maioria das casas à beira mar são construídas "de costas" para a praia, para ficar de frente para o centro da vila.

A isolada mas bem estruturada vila de pescadores


As águas são transparentes e esverdeadas


A trilha para a Praia do Aventureiro começa na extremidade esquerda da praia, passando por uma ponte e por um "bicão" de água, e depois uma bifurcação cujo caminho certo é a esquerda, subindo. Depois outra bifurcação, com uma placa feita por moradores que indica para a esquerda outra vez. A subida é íngreme e constante, e ainda passa por um mirante. 

Pequena ponte que passa pelo bicão e segue para a trilha de Aventureiro


Vista da Vila de Provetá a partir do mirante da trilha


A trilha Provetá x Aventureiro possui um pouco mais de 3 km e passa pela maior altitude de todas as trilhas da volta na ilha. Depois de uma longa subida, o ponto mais alto (350 m de altitude) possui bancos improvisados para descanso e até um raro ponto que pega sinal de celular daquele lado da ilha. Depois é só descida!

Uma das paisagens da trilha mais alta da volta na Ilha Grande


Banco improvisado com toras de madeira para descanso no pico


Curiosa placa indicando o ponto de sinal de telefone celular


PRAIA DO AVENTUREIRO

Na minha opinião esse é o lugar mais bonito de Ilha Grande. A Praia do Aventureiro foi batizada com esse nome porque realmente é uma aventura chegar lá, seja através as trilhas ou de barco que, além de ser distante, o mar de ressaca pode se tornar perigoso nas encostas rochosas do sul da ilha. A vila de pescadores é pequena, com um pouco mais de 100 moradores, e não existem pousadas ou sinal de celular (mas existe camping com wi-fi). A maioria das hospedagens é através de camping ou quartos alugados por moradores, e a anergia elétrica é por meio de gerador (depois das 22h é desligado). Devido às dificuldades, a comida lá é cara, cerca de R$ 35 o prato feito (é lógico que eu não comi).

Praia de areia fina, mar de azul anil e cercada de pedras


Igrejinha com o Cristo Redentor de Aventureiro


É o tipo de lugar paradisíaco para fugir da civilização e ficar uns dias curtindo a natureza, mas não era o meu caso no momento. Deixei a mochila com um amigo e fui explorar algumas atrações daquele paraíso. O primeiro foi o seu cartão postal: o Coqueiro Deitado, da extremidade direita da praia. Seguindo a trilha depois da areia, passando pelo pequeno pier, se chega nas pedras onde tem acesso ao Mirante do Espia, uma das vistas mais incríveis da praia.

Uma das imagens mais paradisíacas da ilha está em Aventureiro


Mesmo com o tronco caindo, a natureza cria um jeito de vencer


Para chegar no Mirante do Espia é preciso subir uma escada feita na pedra


De cima do mirante é possível ver o litoral de Aventureiro até a Praia do Leste 


A cor turquesa das águas se assemelha ao Caribe ou ao leste asiático


O pequeno pier em que atracam os barcos que chegam na praia


Atenção! Se você planeja ir para Aventureiro no verão, saiba que o acesso é controlado pela fiscalização Ambiental, existindo uma capacidade de ocupação diária de 560 pessoas. A autorização de embarque e permanência em Aventureiro são expedidas pela TurisAngra, que fica na entrada da de Angra dos Reis-RJ. Endereço: Praia do Anil, Av. Ayrton Senna, 580. Telefones (24) 3367.7826 e 3369.7704. 

No verão, a quantidade de turistas é controlada


A natureza agradece a preservação desse paraíso quase intacto


COSTÃO DO DEMO

Agora era a hora mais incerta: a travessia para a reserva biológica, pois ouvi relatos que havia sempre um agente do Instituto Florestal que ficava até as 17h e barrava o acesso para as praias do Sul e do Leste. Mas meu amigo que ficou na praia enquanto fui subir no mirante acabou fazendo amizade com um funcionário da Petrobrás que faz diariamente uma ronda na reserva para checar se há animais mortos por um suposto vazamento de petróleo. Ele disse que os agentes só controlam esse acesso durante feriados ou alta temporada. Assim, seguimos pela curta Praia do Demo, vizinha de Aventureiro, e começamos a travessia pelo Costão do Demo, um longo costão inclinado que pode ser mortal em dias de chuva. 

A passagem acontece numa encosta inclinada e perigosa nos dias de chuva


A pedra, quando molhada, pode causar a queda na quebração das ondas


São cerca de 500 metros de travessia na encosta


No final do Costão do Demo, havia um macabro Piu Piu enforcado


RESERVA BIOLÓGICA DA PRAIA DO SUL

Depois do Costão do Demo se inicia a área que faz parte da Reserva Biológica da Praia do Sul, que engloba as praias do Sul e do Leste. No total, são 6 km de extensão de litoral. O acesso neste local é restrito pois busca preservar o ecossistema do lugar, por isso é preciso ter muita consciência de preservação, qualquer dano é considerado crime ambiental. Acampar ou pegar um bronze nem pensar!

As Praia do Sul é a primeira a partir de Aventureiro


A reserva foi eleita como uma das 7 Maravilhas da Ilha Grande


A natureza faz arte até com os restos deixados pelo homem


No final da Praia do Sul está o Ilhote do Leste, que a separa da outra praia


A trilha para a Praia do Leste entra pela mata e continua dentro do mangue que bate no joelho


As águas do canal são provenientes de duas lagoas no interior da reserva


Urubus espreitando o corpo sem vida de uma gaivota na Praia do Leste


No fim da praia está a Ponta da Tucunduba, limite final da reserva


Fim de tarde na Ponta da Tucunduba


A trilha para Parnaioca sobe até um mirante que é a despedida da Reserva Biológica


PARNAIOCA

A trilha na mata percorre 2 km até chegar no Rio Parnaioca. A primeira visão que se tem do lugar é que aquela é uma praia deserta, sem vila de pescadores, mas não é (na verdade, é quase isso). Existem apenas 6 moradores em Parnaioca, mas as casas não ficam na beira mar, e sim para o interior da mata. As "ruas" são largas e planas, vestígios de um passado em que existiam cerca de 1.000 moradores que viviam de pesca e agricultura. Atualmente, os moradores dependem do turismo, com campings rústicos mas com boa capacidade de receber visitantes. 

Ao chegar na praia, é necessário atravessar o Rio Parnaioca por cima das pedras


A Igreja do Sagrado Coração de Jesus é um vestígio da grande comunidade que ali viveu


Chegamos com fome e antes de acampar, resolvemos procurar primeiro um lugar para comer. A primeira procura foi no Camping do Silvio (21 3155-9636), um senhor muito gente boa que pediu mil desculpas, mas falou que estava faltando mantimentos até para ele. Ele explicou a dificuldade de chegar um barco naquele ponto da ilha, tendo que esperar vários dias para ter algo. Seguimos procurando no Camping da Marta, mas ela não estava lá, tinha ido ao Rio de Janeiro acompanhar tratamento do marido. Por fim, só havia uma pessoa que poderia vender um prato feito no momento, era a Janete (que também tem um camping). O PF estava custando R$ 25, tentei até chorar um preço mais baixo, mas não rolou. Não aceitei pagar o preço e comi a minha comida de emergência na naquela noite. 

Cinzeiro improvisado em um dos campings


Cruzeiro da Praia de Parnaioca


Causa um sentimento de ser um dos lugares mais isolados e preservados longe da civilização


No dia seguinte teria mais exploração na área de Parnaioca, e muito pé na trilha, mas isso e só vou contar no próximo post.


MAPAS

Trilha de Provetá a Aventureiro (clique para ampliar)


Áreas de preservação e a trilha (amarela) que liga Parnanioca x Dois Rios x Abraão


MEU ROTEIRO


Roteiro completo: ILHA GRANDE



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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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