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Volta completa em Ilha Grande (dia 3): De Maguariquessaba até Provetá

Explorando o lado sul da ilha, com lagoas transparentes, grutas diferentes e muita natureza


O planejamento atrasou nos dois primeiros dias, mas a manhã do terceiro era a hora de recuperar. Depois de receber a ajuda do Henrique, filho dos donos da Pousada Recanto dos Pássaros, em Maguariquessaba, pela hospedagem da noite conforme eu expliquei no post anterior, agora a ajuda viria do mar.

Os donos da pousada fizeram um preço camarada para ajudar


CARONA NO BARCO ESCOLAR

Na noite anterior, o Henrique ficou sabendo que nosso destino seria Araçatiba e que estávamos atrasados de acordo com o roteiro. Foi então que ele deu uma dica de ouro: entre 6h30 e 7h30, o barco escolar passa nas comunidades para levar os alunos até a Vila de Araçatiba. Se conseguíssemos embarcar, o tempo do planejamento seria recuperado.

O barco escolar pára diariamente no pier em frente da pousada


O barco chegou quase 7h30, e lá estava o Henrique para tentar nos colocar dentro. A princípio o barqueiro negou, falou que se fôssemos hóspedes tudo bem, então o Henrique afirmou que estávamos hospedados na noite anterior lá (não mentiu). O barqueiro pediu o aval de uma professora que acenou positivamente. Logo estávamos partindo para conhecer as praias de outro ângulo.

Um barco simples, de madeira, que presta serviço municipal aos estudantes


Uma rotina diferente do que estamos acostumados na cidade grande


Além de recuperar o tempo perdido, sem prejuízo de conhecer as praias e vilarejos do caminho, viajar nesse barco foi uma experiência única de viver a rotina dos moradores de Ilha Grande. A viagem durou cerca de 1 hora pois segue o contorno do litoral da ilha, e parou nas localidades de Sítio Forte/Tapera, Ubatubinha e Praia Longa.

Impressionantes águas de cor de esmeralda em Ubatubinha


Igrejinha do vilarejo da Praia Longa


Pelo tamanho de Araçatiba que eu vi no mapa, logo imaginei um lugar super bem estruturado onde eu ia conseguir tomar um café da manhã decente, mas eu estava enganado. Quando o barco finalmente chegou no pier, apesar de haver uma quantidade significativa de pousadas e comércio naquele vilarejo, tudo estava fechado. Foquei então no próximo objetivo: a Lagoa Verde!

Desembarque na Praia de Araçatiba


Araçatiba, apesar de grande, também é pouco movimentada na baixa temporada


Esse poste parece estar tombado faz tempo e não incomodou ninguém


LAGOA VERDE

A trilha de Araçatiba até a Lagoa Verde tem cerca de 1,7 km de distância. Para chegar lá, é necessário seguir em direção à Praia Longa. Logo que a trilha se afasta das casas de Araçatiba, há uma placa da Lagoa Verde e, alguns metros à frente, existe a marcação numa pedra indicando à esquerda, onde está a entrada da trilha para a lagoa. A mochila cargueira ficou "entocada" na mata e segui somente com câmera fotográfica, máscara e snorkel.

Caminho para a Praia Longa e a marcação indicando a entrada da trilha à esquerda


A Lagoa Verde vai surgindo no meio da mata


A Lagoa Verde não é uma lagoa de verdade, mas sim uma área de águas rasas propícias para o mergulho numa piscina natural nas margens da Ilha da Longa, cuja maré em nível normal (ou cheia) a mantém separada da margem de Ilha Grande, mas se está baixa, fica unida por uma faixa de areia e pedras. O nome é um apelido turístico (como no caso da Lagoa Azul) por ser um dos únicos lugares do mundo onde são encontrados corais esverdeados. 

Uma estreita faixa de areia e pedras une a Ilha Grande à Ilha da Longa


Águas propícias à prática de snorkeling


Explorar a Lagoa Verde com seus peixes e corais é um programa inesquecível


Um efeito esverdeado impressionante!


VILA DE ARAÇATIBA

Dessa vez o tempo para se divertir na Lagoa Verde foi cronometrado para não prejudicar o roteiro do dia. Depois de pegar a trilha e retornar para Araçatiba, parei apenas para tomar um café da manhã improvisado numa mercearia (pão de forma, queijo e mortadela). A trilha continua ao sul beirando a praia e passa pela Praia de Araçatibinha, e logo depois entra novamente na mata até a bifurcação que segue para Provetá (esquerda) ou para a Gruta do Acaiá (direita). Escondemos novamente as mochilas cargueiras na mata para seguir leves até a gruta.

Retorno da Lagoa Verde para a vila de Araçatiba


Mochilas escondidas na mata, perto da bifurcação onde iríamos retornar


PRAIA DO ITAGUAÇU

Cerca de 500 metros à frente está a entrada para a Praia do Itaguaçu, ou Praia do Gaúcho como é conhecida por alguns nativos da ilha. É uma praia curta e quase deserta, sendo habitada apenas por uma família que administra uma pousada. 

A curta faixa de areia é cercada por grandes pedras que atraem a vida marinha


As águas são bem transparentes, mas atenção com a presença de águas-vivas


PRAIA VERMELHA

Cerca de 1,5 km depois de Itaguaçu está a Praia Vermelha que possui uma infraestrutura melhor, sendo uma vila de 150 moradores com algumas poucas pousadas, bares e restaurantes, mas não pense que é grande coisa, tudo bem simples e rústico. O nome da praia teria sido dado por nativos que no passado faziam fogueiras na areia e perceberam que ela ficava avermelhada.

É a última praia com certa infraestrutura nessa região da ilha


Possui faixa de areia avermelhada com cerca de 200 metros


Possui dois atracadouros que servem de parada para passeios turísticos


GRUTA DO ACAIÁ

No final da Praia Vermelha, a trilha passa pela continuação da vila (na dúvida, pergunte a um morador) e segue por 2,5 km em direção à Gruta do Acaiá. Uma subida longa e um pouco cansativa até 150 metros acima do nível do mar. É interessante ver que existem moradores nessa área tão isolada de Ilha Grande.

No alto da trilha a paisagem é sensacional


Casinha simples numa área alta e isolada no caminho do Acaiá


Pelo menos de fome os moradores não morrem: um bananal


Natureza bem exótica acima do nível do mar de Ilha Grande


A trilha termina numa porteira de madeira que fica aberta. Entrando naquele terreno e caminhando alguns metros, está a casa do proprietário da gruta. Pois é, ela fica em área particular e cobra-se um valor para visitas. O Seu Almir, responsável pela gruta, é bastante gente boa. Falou que estava cobrando R$ 20 por pessoa, mas depois de um choro, fez por R$ 12. Ele próprio guiou até o interior da gruta com sua potente lanterna e contando várias histórias. Dica: não esqueça de levar dinheiro e lanterna nesta trilha.

Porteira de entrada na propriedade da gruta


A Gruta do Acaíá não é uma gruta convencional. A entrada é feita na vertical, descendo por uma escada de madeira até um salão estreito, com cerca de 60 cm de altura. O deslocamento é abaixado por 10 metros até a beira das águas que entram por uma fenda na rocha costeira. O mais espetacular é o efeito da luz solar que se propaga na água, formando um fenômeno de fluorescência de cor verde turquesa. Foi algo inédito pra mim, nunca soube de nada igual! 

Descida vertical de 5 metros de profundidade


Ao fundo, o Seu Almir, proprietário e lenda viva da gruta


O show de luzes da natureza formado nas águas que entram pela fenda submersa 


O efeito da iluminação das águas é impressionante


O Seu Almir contou que no passado a entrada da gruta era fechada, havia apenas um pequeno buraco no solo e não se conhecia o interior. Até que um dia, um pescador perseguindo peixes a nado, passou por baixo da encosta de pedra e chegou no salão da gruta. Mais tarde, fizeram uma abertura por cima e chegaram por terra na gruta. O local é também um sítio arqueológico onde já foram encontradas ossadas humanas (estimadas com 250 anos e 3.000 anos) e de baleia (300 anos), além de vários pequenos detritos jogados no buraco pelos índios que habitavam a região.

Ossos de animais jogados por índios na gruta e um osso fossilizado de baleia


Representação do acesso das águas na gruta


A "parte de fora" da encosta por onde as águas entram. É o extremo sul de Ilha Grande


VILA DE PROVETÁ

Terminada a visita naquela gruta de outro mundo, ainda restava a missão de chegar em Provetá, a vila mais estruturada da ilha depois de Abraão e com a segunda maior população (1.500 moradores). Fica localizada do lado do mar aberto da Ilha Grande. Mas antes, como ninguém é de ferro, tomei um açaí gelado num botequinho da Praia Vermelha.

Parada para tomar um açaí no retorno pela Praia Vermelha


Reta final da trilha de 2 km com subidas e descidas


A vila possui uma pracinha em frente à igreja evangélica que é considerada o seu centro e na rua principal se concentra algum comércio. As opções de hospedagem não são muitas, mas são baratas na baixa temporada. Na barraca de cachorro quente me ofereceram um quarto com banho quente para três pessoas por R$ 120, depois foi baixando para R$ 100, e no final eu consegui fechar por R$ 90. Outra opção era acampar no quintal da Dona Creuza por R$ 20 (que eu já estava conseguindo baixar para R$ 15), mas como começou a chover, o quarto foi um bom negócio. Um ponto importante a se conhecer é a padaria que além de vender pão também faz um prato feito de filé de peixe (R$ 20) muito bem servido. Foi o que me salvou da fome!

Chegada na "civilização" da Vila de Provetá já no cair da noite


A maioria dos moradores são evangélicos e possui uma igreja da Assembléia de Deus


Foi uma noite tranquila, apesar de ter desarmado o disjuntor do quarto só de ligar a luz e o chuveiro juntos. O dia seguinte seria o das mais belas paisagens na minha opinião, mas isso eu conto no próximo post.


MAPAS

Mapa das trilhas da enseada de Sítio Forte e suas praias (clique para ampliar)


Mapa das trilhas da enseada de Araçatiba e suas praias (clique para ampliar)


MEU ROTEIRO


Roteiro completo: ILHA GRANDE



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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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