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Ilha de Páscoa: Puna Pau, a "fábrica de chapéu" dos moai

Um sítio arqueológico para se entender de onde vinham os pukao


Comecei o dia visitando um local bem perto da cidade de Hanga Roa e que possui sua importância na história da Ilha por ser o local de onde eram extraídos os "chapéus" colocados nos moai. Puna Pau é um pequeno vulcão extinto com rocha avermelhada devido ao teor de ferro da sua composição.


COMO CHEGAR

A pedreira fica a 7 km do centro de Hanga Roa. O caminho mais simples é seguir a estrada do aeroporto até o entroncamento, depois mais 3 km e virar a esquerda na mesma estrada que segue ao Ahu Akivi. A entrada para Puna Pau está à esquerda dessa estrada.

Localização de Puna Pau na Ilha de Páscoa


Entrada do sítio arqueológico de Puna Pau


PUKAO

O pukao era a pedra arredondada colocada sobre a cabeça dos moai. Não se sabe ao certo o que representavam, se eram chapéus, cocares, ou coisa parecida. Considerando que os moai representavam ancestrais dos Rapa Nui e que não se tem conhecimento que eles usassem chapéus, acredita-se que poderiam ser representações de penteados usados ​​naquele tempo, ou seja, um cabelo enrolado e amarrado no topo da cabeça. 

Pukao na cabeça dos moai localizados na praia de Anakena


E se eles representassem chapéus? Talvez isso signifique que os moai são representações de estrangeiros ou seres sobrenaturais. Nas minhas viagens pela América do Sul, encontrei estátuas de civilizações antigas representando pessoas (ou seres) com o mesmo tipo de "chapéu". Seria apenas coincidência ou uma prova de contato entre as civilizações? Veja abaixo alguns exemplos semelhantes que registrei em diferentes viagens:

Estatueta no museu do Parque Arqueológico de San Agustín (Colômbia, 2015)


Eu nunca encontrei um estudo arqueológico que comparasse essas estátuas encontradas na América do Sul e buscasse alguma resposta sobre a semelhança com os Rapa Nui, talvez eu seja o primeiro a levantar essa questão aqui no blog. Estes são apenas exemplos de algumas das estátuas que já registrei. Ambas possuem motivação funeral e foram encontradas em tumbas. Tanto na mitologia dos nativos de San Agustín, na Colômbia, quanto dos índios Mapuche, no Chile, estas estátuas representariam espíritos que acompanham a jornada do falecido no além.

Estátuas colocadas nas tumbas nos índios Mapuche (Chile, 2014)


Na Ilha de Páscoa foram encontrados cerca de 100 pukao, um número muito pequeno perto dos quase 900 moai existentes. Arqueólogos acreditam que isso é a prova de que o pukao foi criado bem mais tarde do que os primeiros moai, talvez como enfeite, e inventado entre os séculos 15 ou 16.

Alguns pukao sem acabamento e abandonados em Puna Pau


A PEDREIRA

Ao entrar em Puna Pau e seguindo pelo caminho da direita, existem grandes pukao espalhados que provavelmente esperavam ser transferidos para o seu destino final. Assim como em Rano Raraku (a pedreira onde se fabricavam os moai), algo aconteceu na Ilha de Páscoa que encerrou as atividades de construção repentinamente. Até hoje isso é um mistério.

As dimensões variavam de acordo com o moai destinado, a maioria tinha 2 m (diâmetro) x 2 m (altura) 


Local de extração da pedra para a produção do pukao


Entre os pukao espalhados, é possível observar um deles com uma grande abertura por fora e oco por dentro. A tradição conta que após o abandono da pedreira, um pastor de gado que vivia no local cavou esse buraco para usar como abrigo da chuva.

Um abrigo foi improvisado por um antigo pastor de animais da ilha


Subindo a trilha até o topo, há ainda um mirante em que se pode apreciar de outro ângulo a cidade de Hanga Roa e a pequena cratera de onde os pukao eram extraídos.

Vista da cidade de Hanga Roa a partir do mirante


O mirante é uma das melhores atrações de Puna Pau


Sítio arqueológico de extração dos pukao 


Via de entrada no sítio de Puna Pau


O sítio arqueológico é pequeno, mas é um lugar bastante agradável com campos que parecem as colinas nos Teletubbies e locais de descanso com bancos sob sombras. Como não existe controle de acesso, é um bom lugar para visitar no final de tarde e até sentar para ler um livro.

Certos pukao possuem desenhos, mas é provável que foram feitos após o abandono da pedreira


Colinas que até parecem de desenho animado


Bancos de madeira para descansar e curtir a natureza


Vista a partir da estação de descanso


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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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