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Ilha de Páscoa: Na incrível cratera do vulcão Rano Kau

A maravilha natural mais imperdível de toda a ilha


Eu resumiria o Rano Kau como uma "obra prima da natureza". Este vulcão foi um dos três que deram origem à ilha (junto com Poike e Terevaka) e é aquele o que possui a mais fantástica cratera, com cerca de 1 km de diâmetro, 200 metros de profundidade e foi a principal fonte de água doce dos Rapa Nui. Visitar a cratera do Rano Kau é quase que obrigatório para qualquer viajante na Ilha de Páscoa por três motivos: gratuidade, beleza e proximidade com a cidade. 


COMO CHEGAR

O momento mais adequado para visitar a cratera Rano Kau é na parte da manhã, até um pouco depois de 12h00, quando o sol está refletido na lagoa. Por ser bem perto da cidade, cerca de 6 km do centro de Hanga Roa, é possível conhecer o vulcão de duas maneiras: de carro ou a pé. Eu fiz das duas formas em dias diferentes e vou relatar abaixo como foi.

Localização de Rano Kau na Ilha de Páscoa


DE CARRO ATÉ RANO KAU

Logo na minha primeira manhã em Hanga Roa, aluguei um carro e fui visitar Rano Kau e a aldeia de Orongo. Para chegar lá, basta ir em direção a estrada do aeroporto e virar à direita. Ao passar pelo único posto de gasolina na ilha, continue o caminho subindo. Essa via beira a parte oeste da cratera, passando pelo mirante do Rano Kau, e termina no sítio arqueológico de Orongo.

Estacionei próximo à placa do vulcão e segui pela trilha


Perto da placa do Rano Kau está o mirante turístico


A trilha da direita segue pela cratera até o sítio de Orongo



Rano Kau é considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO


Algumas partes da cratera são perigosas. Não tente fazer isso em casa, digo, no vulcão...


TRILHA A PÉ ATÉ RANO KAU

No meu último dia na Ilha de Páscoa, após caminhar pelo litoral sul de Hanga Roa, fui encarar a trilha até o Rano Kau. Um pouco depois da entrada da caverna Ana Kai Tangata, existe uma placa que sinaliza o início da trilha a Orongo e que chega no mirante do Rano kau. A rota é acentuada e segue pelo meio da mata, com áreas de sombra e paradas para descanso. A caminhada durou cerca de 1h, mesmo fazendo tranquilamente.

Próxima à caverna Ana Kai Tangata, a placa indica o início da trilha


Este caminho antigo segue por matas fechadas e árvores exóticas


Algumas espécies de plantas estão identificadas por placas


Pontos de descanso são encontrados ao longo do caminho


Na parte alta da trilha é possível ver a cidade de Hanga Roa


A trilha termina no mesmo ponto onde parei o carro no dia anterior, o mirante do Rano Kau. Dessa vez, eu segui pelo caminho da esquerda, que percorre a cratera do vulcão por aproximadamente 1,5 km, com diferentes ângulos de observação, um mais sensacional que o outro.

Vista da cratera formada numa erupção há cerca de 2,5 milhões de anos


O caminho mais movimentado é o da direita, que termina em Orongo. A trilha que segue pela esquerda é bem deserta, poucos turistas se aventuram por lá. Uma surpresa logo no início são os petróglifos (desenhos na rocha) do Homem-Pássaro encontrados em várias pedras, alguns requerem atenção para ver.

Um relevo do Homem-Pássaro próximo a cratera do vulcão


Outro petróglifo encontrado ao longo da trilha


A área do vulcão era usada em cerimônias e competições relacionadas ao culto do Homem Pássaro


Algo interessante é que no lago da cratera existem plantas do tipo taboa, também encontradas nas ilhas flutuantes do Lago Titicaca, no Peru. Isso alimenta teorias sobre os possíveis contatos com as culturas da América do Sul.

A vegetação é rica dentro e fora do Rano Kau


A borda da cratera mescla pedras e o verde, uma obra de arte!


Outra curiosidade é que, em 1950, a última árvore de toromiro do mundo foi encontrada na cratera e usada para salvar a espécie da extinção. Isso se deve ao fato dessa cratera ter forma perfeita para proteger as plantas dos ventos fortes e impedir o acesso aos animais de pasto.

Vários minerais são encontrados lá, inclusive pedras semi-preciosas como a obsidiana


A cratera é colorida e uma das 3 fontes naturais de água doce da ilha


Na parte norte da cratera, qualquer lugar que se pare é um mirante sensacional. Em alguns pontos é possível encontrar placas de basalto soltas. Placas assim que foram usadas na construção das casas da aldeia de Orongo.

A trilha passa por vários pontos de mirantes magníficos



Alguns trechos têm placas soltas de basalto. Cuidado para não se cortar!


Um dos meus objetivos era chegar num lugar pouco conhecido dos turistas. Décadas atrás, um grupo de médicos brasileiros pioneiros na Ilha de Páscoa fixaram uma placa num ponto isolado do Rano Kau. Depois de dar quase a volta completa na cratera, encontrei o ponto da lendária placa, mas para minha surpresa, ela não estava mais lá. Em algum momento da história ela foi extraviada.

Local onde havia uma placa escrita em português colocada por brasileiros no passado


Enfim, cheguei no lado oposto da "mordida" da cratera, chamada de Kari Kari. O meio dessa parte erodida do vulcão era onde os competidores de Orongo desciam pela encosta das falésias até o mar, para então nadar por 2 km até as ilhas e tentar trazer o primeiro ovo de manutara (gaivota regional). Era uma competição mortal em que o vencedor (Tangata Manu) era escolhido para governar a ilha.

Kari Kari e as ilhas que faziam parte da competição de Tangata Manu


O final da trilha fica bem próximo das falésias do vulcão


Diz a lenda que em 1880, havia um ahu com um moai localizados numa dessas falésias, mas não foram vistos novamente em uma expedição de 1914. Se o relato for verdade, o moai pode ter caído sobre as falésias devido à erosão.

 Motu Nui (grande ilhota) e Motu Iti (pequena ilhota)


Motu Kao Kao (ilhota estreita)


Não havia nem vestígios humanos naquela área. A sensação de isolamento e paz me fez deitar sob as sombras de um pequeno bosque e descansar junto aos animais. Mais tarde, com as energias renovadas, voltei para Hanga Roa para passar minhas últimas horas na Ilha de Páscoa antes do retorno ao Brasil.

Os campos em volta do vulcão são isolados e sem vestígios de civilização


Depois de uma longa caminhada, deitei na mata e cheguei a dormir


O gado que vive livre na ilha me fazia companhia


Vista da costa leste da Ilha de Páscoa


MEU ROTEIRO

Anterior: ANA KAI TANGATA

Roteiro completo: MISSÃO ILHA DE PÁSCOA


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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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