Ilha de Páscoa: A aldeia cerimonial de Orongo

O centro cerimonial que marcou a mudança de culto religioso dos Rapa Nui


Considerada patrimônio mundial da UNESCO, foi uma aldeia que nunca chegou a ser povoada permanentemente, mas utilizada como centro cerimonial apenas algumas semanas durante o ano, começando na primavera. Orongo é um dos sítios arqueológicos mais importantes da Ilha de Páscoa, tanto pelos achados que explicam a história do povo Rapa Nui, quanto pela vista sensacional de onde está localizada. 


COMO CHEGAR?

Orongo fica no sul da Ilha de Páscoa, situado em uma estreita faixa de cerca de 250 metros, entre a borda do vulcão Rano Kau e um penhasco de 300 metros que mergulha abruptamente para o Oceano Pacífico. Existe uma trilha que liga o centro de Hanga Roa até Orongo. Primeiro segue-se pelo litoral até próximo da caverna Ana Kai Tangata, ali na estrada existem placas que direcionam à trilha de 4 km até Orongo. Como eu aluguei carro na cidade, segui pela estrada que sobe por Rano Kau (8 km desde o centro). O centro de visitantes de Orongo tem estacionamento.

Estacionamento para quem sobe de carro até o sítio arqueológico


Localização de Orongo na ilha


ORONGO E A NOVA RELIGIÃO

Antes de acessar a área arqueológica se passa por um pequeno centro de visitantes com murais explicativos sobre a cultura e história da Ilha de Páscoa e a importância de Orongo. A história dos antigos Rapa Nui se divide em dois períodos, o primeiro é o mais misterioso que foi o culto às estátuas megalíticas (moai) que durou até o século 16, a partir de então surge o culto ao deus Make-Make que era vinculado à fertilidade, à primavera e à chegada das aves migratórias. Orongo foi o centro desse novo culto.

Centro de visitantes de Orongo


Acredita-se que o declínio da fé nos moai foi gerada por uma crise tribal devido à escassez de recursos, então surgiu uma nova religião baseada na competição do "Homem-Pássaro" ou Tangata Manu como era conhecido. O novo governante passou então a ser escolhido pela destreza física e não por sua posição ou status. A competição consistia em obter o primeiro ovo manutara (uma gaivota da região) e o vencedor recebia o poder de governar a ilha durante um ano.

Murais do centro de visitantes ensinam sobre a história do lugar


O centro cerimonial de Orongo foi utilizado até meados do século 19. Devido à difusão do cristianismo e às doenças trazidas pelos europeus, os moradores cada vez menos utilizaram o lugar, até que finalmente foi abandonado. 

Uma das placas explicativas no início do sítio arqueológico


SÍTIO ARQUEOLÓGICO 

O percurso total do sítio arqueológico tem 900 metros com dois pontos de descanso com mirante natural. Logo no início existe uma série de placas explicativas sobre Orongo. Mais a frente da trilha está o primeiro mirante, com vista para três ilhotas que se destacam fora da costa da ilha. São elas: Motu Kao Kao (ilhota estreita), em forma de agulha, Motu Iti (pequena ilhota), e Motu Nui (grande ilhota), que é a mais importante das três pois era aonde se realizava o ritual para obter o primeiro ovo manutara

Existem 2 pontos de descanso com mirante natural


Mirante das 3 ilhas em que se realizavam competições do Homem-Pássaro


A trilha passa pelas 53 casas em formato de elipse, com lajes que se inclinam para a frente e uma grande pedra central sustentava o telhado coberto com terra e grama para proteger o interior da chuva. Algumas das casas têm múltiplas entradas e umas são conectadas a outras, como buracos de coelho. As portas pequenas forçavam os habitantes a entrar quase de joelhos, mas garantiam a proteção contra as intempéries, pois o vento lá é cinco vezes mais forte do que em Hanga Roa.

Existem 53 casas na aldeia cerimonial de Orongo


As casas possuem o formato de barcos como outras construções pela ilha


As entradas eram baixas e pequenas para proteção contra fortes ventos


Existe uma grande casa com quatro entradas conhecida como Taura Renga. Neste local, em 1868, a tripulação do navio Inglês Topaze levou um famoso moai, que os nativos chamam Hoa Hakananai'a (amigo roubado), e se encontra hoje em exposição no Museu Britânico, em Londres. Este moai de 2,5 metros, ao contrário da maioria, foi esculpido em basalto, o material mais duro na ilha. Tinha figuras nas costas representando o Homem Pássaro e símbolos de fertilidade. A estátua incorpora o sincretismo entre o período dos moai e o culto a Tangata Manu

Acredita-se que o moai levado para Londres tinha importância nas cerimônias de coroação


Quase todas as entradas olham para Motu Nui, onde ocorria a competição do Homem-Pássaro


As casas eram construídas com lajes de basalto retiradas de dentro da cratera do vulcão e montadas com paredes duplas e lama no meio para proteger dos ventos. Nas paredes internas havia pinturas. As casas não foram danificadas só por influências ambientais, mas também pelos primeiros visitantes que entravam nas casas para levar as placas pintadas. O arqueólogo William Mulloy e um grupo de ilhéus reconstruíram a aldeia de 1974 a 1976.

Esta casa restaurada parcialmente pode ser vista pelo seu interior


O nome Orongo significa "O chamado" em Rapa Nui


MIRANTE DO RANO KAU

O caminho de visitação das casas segue por uma faixa entre a cratera e o penhasco, estreitando cada vez mais. A última casa da aldeia é conhecida como Mata Ngara'u e era destinada aos sacerdotes que ministravam as cerimônias e recitavam os textos escritos nas placas Rongorongo

O caminho vai se estreitando entre o penhasco e a cratera


Quase no final está o segundo mirante de Orongo


Esta é uma das vistas mais belas do vulcão Rano Kau


A parte mais estreita se chama Kari Kari e parece uma grande mordida na cratera. Era ali onde os competidores tinham que chegar e descer pela encosta até o mar. Depois nadavam 2 km até a ilha Motu Nui na disputa para ser o primeiro a trazer o ovo manutara. Era uma competição mortal, pois havia o risco de queda e de ataque de tubarões.

Atualmente, o acesso até a parte mais estreita é proibido aos visitantes


O local de descida da competição era a "mordida" no meio da cratera


HOMEM-PÁSSARO NAS PEDRAS

Mas não é apenas a vista da cratera de Rano Kau que impressiona neste ponto de Orongo. Do lado do mar existem petróglifos (desenhos na rocha) representando o Homem Pássaro e o deus criador Make-Make. O americano Georgia Lee, um especialista em arte rupestre, contou 1.700 petróglifos naquele local.

Os petróglifos contrastam com a bela paisagem


Algumas pedras são totalmente aproveitadas para gravar a imagem da divindade


O acesso é restrito por causa da instabilidade do terreno e para a proteção dos petróglifos


Foram identificadas em torno de 1.700 figuras


Consegue identificar o Homem Pássaro nesta pedra?


O telhado de Mata Ngara'u, a última casa da aldeia, serve de mirante aos petróglifos


São permitidas apenas 5 pessoas por vez em cima da casa


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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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