Egito: O Museu da Mumificação em Luxor

Um museu para compreender as técnicas de preservação eterna do corpo


Na cidade de Luxor existe um museu discreto, pequeno, mas muito bem organizado e imperdível para os amantes de egiptologia e os curiosos de plantão: o Museu da Mumificação. É interessante observar que os antigos egípcios aplicavam essas técnicas para embalsamar não somente os seres humanos mortos, mas também os diversos animais considerados divinos.



INFORMAÇÕES ÚTEIS

O Museu da Mumificação fica no "corniche", ou seja, na avenida que margeia o Rio Nilo, a alguns metros ao norte do Templo de Luxor. A entrada é através de uma escada que desce abaixo do calçadão do rio.

Funciona diariamente de 9h às 21h (inverno) ou de 9h às 22h (verão). Para quem tem pouco tempo na cidade, a dica é deixar para visitar à noite, percorrendo outras atrações na parte da manhã. Valor do ingresso para estrangeiros: 60 EGP (agosto 2014). 

Descida até o museu no meio do calçadão


Essas informações podem mudar constantemente no Egito. Para mais informações, o site oficial do museu é acessado através do link: SCA Mumification Museum


O MUSEU

Em funcionamento desde 1997, o Museu da Mumificação explica a antiga prática egípcia que se acreditava ser a busca pela vida eterna. É composto de auditório, sala de vídeo, cafeteria e o principal que é o Salão de Artefatos.

Arte egípcia na descida até o museu


O Salão de Artefatos é dividido em duas partes. A primeira é um corredor suspenso em que o visitante pode ver os 10 tabletes do Papiro de Ani (o Livro dos Mortos Egípcio) e Hu-nefer, que são exibidos no Museu Britânico, em Londres. Eles explicam a viagem funeral da morte ao sepultamento.

 A segunda parte do museu começa no fim do corredor suspenso. É um salão onde são exibidos mais de 60 peças, divididas em 11 setores de exposição: deuses do antigo Egito, materiais de embalsamamento, materiais orgânicos, formol, ferramentas de mumificação, canopos, Ushabtis, amuletos, Caixão de Padiamun, Múmia de Masaherta e animais mumificados.

Assim como no Museu do Cairo, este também é proibido fotografar em seu interior. As imagens abaixo foram retiradas da internet. Créditos no final do texto.

Múmias e sarcófagos estão entre os artefatos exibidos

De todas as peças que eu observei no museu, considero como destaques as seguintes:

- Múmia de Masehari, sumo sacerdote e general de exército (XXI Dinastia);

- As ferramentas utilizadas (espátulas, bisturi, etc.);

Ferramentas utilizadas na mumificação


- Ibis mumificado (encontrado em Saqqara) e o Babuíno (encontrado no Vale dos Reis);

Babuíno mumificado


- "The Ram", símbolo do deus Khnum de Elefantina (cabra mumificada);

The Ram


- Crocodilo mumificado (encontrado em Kom Ombo);

Crocodilo mumificado


- Cama de mumificação e seus travesseiros, encontrada na tumba KV36 (XVIII Dinastia);

- Partes mumificadas como oferenda (encontradas em Deir El Bahari);

- Múmia do peixe Lates Niloticus (encontrada em Esna). Por causa do culto a este peixe, a cidade de Esna foi chamada de Latônia no período Greco Romano;

Lates Niloticus mumificado


- Múmia de um crocodilo recém nascido, um culto a Sobek, deus "cabeça de crocodilo" relacionado à água e a fertilidade;

Múmia de filhote de crocodilo


- Múmia de gato e estátua de madeira, um culto à deusa Bastet;

Múmia de gato


- Cruz Ankh de madeira, encontrada na tumba de Amenophis II (XVIII Dinastia);

Ankh encontrada em tumba


- Coluna Djed de madeira, símbolo da estabilidade e continuidade do período antigo. Supostamente simbolizava as colunas que sustentavam o mundo, mais tarde, foi relacionada aos ossos de Osíris;

Escultura da coluna Djed encontrada numa tumba


- Estátua de Osíris, o deus primário, simbolo da agricultura, fertilidade e ressurreição;

- Heart Scarab, é um escaravelho colocado no lugar do coração das múmias por ser símbolo do renascimento e fertilidade;

- Sarcófago de Pari Amum, encontrado em Deir El Bahari;

- Estátua de Nephthys, representada no barco durante o transporte funerário;

- Estátua de barco representando a travessia até o lado oeste do Nilo onde os egípcios, em sua maioria, faziam o funeral.

Os barcos funerais faziam a travessia do Nilo com a múmia


- Estátua de Isis, irmã de Nephthys, ambas consideradas as maiores deidades funerárias;

Estátua de Isis

- Pato mumificado;

- Crânio com corte vertical para se observar a resina utilizada para preencher a cavidade após a remoção do cérebro para a mumificação;

Crânio mumificado com corte transversal


- Material de mumificação (resina, óleo, sal, cerragem, etc.);

- Estátua de chacal, o animal sagrado de Anubis, considerado o inventor da mumificação e protetor dos mortos e da necrópole.

Estátua de um chacal em referência a Anubis




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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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