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México: Ek Balam, a cidade Maia recém aberta ao público

As desconhecidas ruínas da cidade maia que possuía uma acrópole


O meu próximo desafio era achar a localização dessa cidade Maia ainda pouco conhecida e recentemente aberta para visitação pública. No passado foi chamada Talol e de acordo com fontes escritas do século XVI, foi fundada por um personagem chamado Éek'Báalam (Jaguar Negro). Era o centro de uma região rica e bastante povoada, havendo ligação através de estradas com outras grandes cidades como Chichén Itzá. Ek Balam se destaca também por possuir esculturas feitas em estuque e pela existência de uma Acrópolis, como nas cidades da Grécia Antiga.


COMO CHEGAR?

Não existe transporte público até lá. As excursões até o local também não são comuns. O ideal é alugar um carro e partir para o interior. Ek Balam fica a 30 km ao norte da cidade de Valladolid e desde Cancún são 170 km. No meu caso, que estava em Chichén Itzá, percorri 70 km passando pelas cidades de Kaua, Valladolid e Temozón. Basta seguir as placas em direção a Tizimín. Depois de passar na estrada por uma miniatura da pirâmide El Castillo, está se aproximando da entrada para Ek Balam (7 km depois de Temozón está a entrada à direita).

Uma miniatura da pirâmide El Castillo de Chichén Itzá na beira da estrada para Tizimín


No mapa abaixo estão os caminhos para se chegar em Ek Balam desde Chichén Itzá. Eu peguei o caminho de baixo pois não passa pelo pedágio. Atenção: depois que entrar na estrada de Ek Balam, se chega numa encruzilhada, mas fica ligado que a placa "Ek Balam" se refere ao vilarejo do mesmo nome. Observe as placas que direcionam ao sítio arqueológico ou ao Cenote Xcan Ché.

Mapa do itinerário Chichén Itzá - Ek Balam


Eu cheguei a me perder e entrar no vilarejo Ek Balam. Voltei e achei o caminho, chegando no estacionamento do sítio arqueológico que é grátis (mas existe "flanelinha"). Ali também está a estrada para o Cenote que é muito recomendado para visitas, pois possui atividades como rapel, tirolesa e acampamento.

O sítio funciona de 8h-17h e o ingresso para estrangeiros custa 193 pesos (65 taxa federal + 128 taxa estadual)


MURALHAS

Ao entrar na cidade, a primeira coisa que se observa são bases de muros de pedra. Apesar de ser apenas uma muretinha hoje em dia, escavações já provaram que os muros tinham 1,5 m (alt) x 3m (larg), íngremes e duplos, como nas antigas cidades medievais. O Arco de Entrada é bem diferente também, com 4 portas, sendo 2 rampas e 2 escadas, provavelmente tinha um sentido cerimonial para entrada na cidade.

Um "perro" passando por um portal com séculos de história


ACRÓPOLE

A definição vem grego acro (extremo, alto) e pólis (cidade), ou seja, é uma característica da Grécia Antiga em construir nas partes mais altas do relevo da região. A posição tem tanto valor simbólico (elevar e enobrecer os valores humanos) como estratégico, pois dali podia ser melhor defendida. 

Uma estrutura piramidal construída pelos maias com finalidade semelhante às acrópoles gregas


Essa é a estrutura mais alta de Ek Balam, com cerca de 32 m


É isso mesmo que você leu, além dos maias possuírem traços que lembram a cultura egípcia, também tinha o costume de construir acrópoles com finalidade semelhante aos antigos gregos, com templos, palácios governamentais e monumentos nobres em posições mais altas.

Apenas o centro foi escavado até hoje, havendo ainda muitas estruturas escondidas pela mata


O chamado Palácio Oval pode ser visto totalmente de cima da acrópole


As escavações na acrópole começaram em 1998, antes era apenas um "morro" coberto de vegetação


A TUMBA DO REI

Uma das coisas que chamam mais a atenção em Ek Balam é a arte maia existente nas paredes dos templos localizados na acrópole. Destaque para a tumba do rei Ukit Kan Le'k Tok que governou de 770 à 797/802 da nossa era, durante o auge da cidade. A decoração era feita em estuque e representava guerreiros, animais e deuses.

As esculturas em estuque foram restauradas e protegidas do tempo com tetos de palha


Aos poucos a arte maia vai ressurgiu nas paredes do templo


A arte é bem bonita, mas se parar para observar alguns detalhes, tudo fica mais enigmático. Em primeiro lugar, a entrada da tumba real é adornada com dentes, criando um efeito de boca de monstro, que lembra a entrada do Castelo de Grayskull do desenho do He-Man (quem assistiu sabe...). A explicação arqueológica é que representa a boca de um jaguar, tendo sido batizada como Altar do Jaguar

A entrada da tumba representaria a boca de um jaguar. Será?


Outra coisa curiosa são as estátuas dos supostos guerreiros. Alguns desses personagens possuem asas, isso mesmo(!), eram seres alados que faziam parte de alguma mitologia que talvez tenha sido esquecida e que representavam algum tipo de anjo.

Homens com asas estão representados na fachada da tumba real


Já a representação deste ser é confusa. Ele se encontra acima da porta de entrada


Este outro ser, aparentemente, não possui asas


Do outro lado da escadaria da acrópole existem outras salas com esculturas, outras possuem pinturas de parede como as escrituras do "mural dos 96 glifos", uma obra semelhante ao existente em Palenque. Outra pintura apresenta uma cena mitológica com um cervo sendo caçado, o que a arqueologia explica como a lenda de origem da morte.

São vários templos ao longo dos patamares da acrópole


Cabeça de serpente com glifos maias


O térreo da acrópole possui pequenas salas com utilidades diversas


TRIBUNAL DE JOGO DE BOLA

Caminhando de volta ao centro do sítio arqueológico se vê as ruínas de um campo de Jogo de Bola Maia, uma construção cerimonial muito comum nas cidades maias. O jogo tinha aspecto ritual e os oponentes se enfrentava sob a pena de sacrifício humano para os derrotados. Os jogadores só podiam bater na bola com seus quadris, cotovelos e joelhos sobre o lado direito do corpo e deveriam acerta-la no respectivo aro de pedra.

Foram encontrados campos assim em toda mesoamerica, desde o sul da Nicarágua


ESTRUTURAS E TEMPLOS

Perto da praça principal se encontra vários grupos estruturais que são identificados com números. A Estrutura 10, por exemplo, seria uma construção mais recente. Também é possível ver uma Estela (placa de pedra esculpida) em estado bem ruim de conservação mas interessante de identificar os desenhos gravados.

A estrutura 10 fica localizada no lado leste do dentro das ruínas


Esta estela esculpida retrata um legislador de Ek Balam, possivelmente Ukit Kan Le'k Tok


Os maiores templos centrais são a pirâmide chamada de Palácio Oval pela forma de sua parte traseira e a estrutura 17, popularmente chamada de "Gêmeos" por serem idênticas. É possível subir nestes templos e ver de perto cada detalhe da engenharia maia.

Palácio Oval (esquerda) e Os Gêmeos (direita)


Em cima do Palácio Oval, onde foram encontradas relíquias funerais em suas escavações


Os Gêmeos se encontram em condições piores de conservação


A população de Ek Balam teria chegado a 15 mil habitantes, porém passou a 10% desse número em sua decadência que ninguém sabe o motivo


A ESCONDIDA ESTRUTURA 2

Ek Balam não é um sítio muito grande, a maioria das ruínas ainda continua coberta pela mata. Antes de ir embora resolvi observar aquelas mais cobertas pela mata, foi então que vi que a imensa Estrutura 2 que constava no mapa era um morro coberto de árvores que estava bem do meu lado e eu não havia percebido. Olhei para os lados para ver se tinha algum vigia e me embrenhei na mata, subindo aquele "morro" artificial. Lá em cima, descobri restos de paredes do que havia sido um templo maia. Foi realmente excitante encontrar ruínas ainda virgens, sem escavações, como a maioria daqueles templos foi achado um dia.

Alguém diria que esse morro é na verdade um gigantesca pirâmide coberta pela mata?


Depois de caminhar no meio da mata fechada do "morro", descobri de um templo tomado por árvores


MAPA DO SÍTIO ARQUEOLÓGICO

Algo interessante é que os monumentos são dispostos de forma orientada com os pontos cardiais. Para se ter uma ideia da distribuição das estruturas, abaixo está um mapa básico:

Mapa de Ek Balam (clique para ampliar)

1- Muralhas
2- Arco de Entrada 
3- Palácio Oval 
4- Estrutura 17 (Os Gêmeos)
5- Capela
6- Estela Esculpida 
7- Estrutura 12
8- Estrutura 10 
9- Estrutura 7
10- Tribunal do Jogo de Bola
11- Estrutura 2
12- Banho de vapor
13- Estrutura 3 
14- Estrutura 1 ou Acrópole
15- Altar do Jaguar


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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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