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Travessia Lapinha x Tabuleiro (dia 1): De Lapinha até a prainha

Primeiro dia da travessia a partir do vilarejo de Lapinha da Serra


Um dos trekking mais clássicos do Brasil e ainda pouco conhecidos é a travessia da Serra do Cipó iniciando no Vilarejo de Lapinha da Serra-MG. Para chegar até lá, é preciso primeiro chegar na cidade de Santana do Riacho-MG, a única que tem ônibus desde Belo Horizonte. Para mais detalhes acesse o post Como planejar a travessia?. 


CARONA PARA CHEGAR EM LAPINHA

Como eu cheguei num sábado e não havia transporte público de Santana do Riacho para Lapinha (e eu não queria gastar pagando um carro até lá), resolvi encarar os 12 Km que as separam a pé, mas logo no início consegui uma carona de Kombi. Era uma família de BH conduzida pelo filho mais velho. Ele trabalhava no asfaltamento das estrada e levava sua família para dar um passeio pelas cidades da Serra do Cipó. 

Apesar de não tem muito movimento para Lapinha, consegui uma carona bem rápido


Parada para fotos na estrada de terra de Lapinha


LAPINHA DA SERRA

O vilarejo em Lapinha é um local ainda distante dos efeitos da civilização e modernidade. As ruas são de terra, não há calçadas, não existem bancos, farmácias e até sinal de celular e internet é muito raro. O turismo está descobrindo este paraíso e talvez no futuro este isolamento acabe.

Lapinha ainda é um lugar isolado da civilização


A mais bonita paisagem e seu cartão postal é, sem dúvida, a Lagoa de Lapinha. As suas águas formam um espelho com a serra ao fundo. Também é possível praticar caiaque nas suas águas. 

Lugar de paz e contato com a natureza


A imagem refletida da montanha na lagoa é impressionante


Em busca de paz e de contato com a natureza a cidade enche de visitantes nos fim de semana. Existem pousadas e campings além de moradores que possuem quartos e chalés para alugar. Esse movimento nos fins de semana e feriados faz Lapinha funcionar bem diferente pois nos dias comuns quase todo o comércio e pousadas ficam vazias pois seus donos moram em Santana do Riacho.

Nos fins de semana e feriados os turistas invadem a cidade e transformam a lagoa numa praia


Até mesmo os animais se divertem nessa lagoa


A carona me deixou na rua que dá acesso a Lagoa e que é também caminho para a travessia. Comi minha última refeição decente num restaurante regional chamado Caminho da Serra pagando R$ 15 por um prato feito por mim de frango, macarrão, feijão e polenta. Já com a barriga cheia segui em direção às montanhas, atravessando a ponte de concreto pela lagoa.

A caminhada começa passando pela Lagoa da Lapinha


A cor da lagoa é algo inesquecível 


INÍCIO DA CAMINHADA

Ao cruzar a ponte, logo em frente está a entrada do Poço do Boqueirão. Como o terreno é particular, faz pouco tempo que o acesso é cobrado, mas apenas nos fins de semana e feriados. Nos dias normais o portão só fica encostado e o acesso não é controlado. A trilha para subir a serra continua a direita , paralela a lagoa, seguindo até passar pela terceira porteira.

Outra atração perto da Lagoa é o poço do Boqueirão com suas águas transparentes


A trilha passa por casas vazias nas imediações da lagoa


Alguns lugares perdidos fazem a beleza do lugar


Nada demais, só a simplicidade de Lapinha...


SUBIDA AO PICO DA LAPINHA

Segui a orientação de passar a terceira porteira (onde tem uma placa Propriedade Particular Proibido Acampar) mas não vi a trilha. Depois de passar pela quarta, percebi que tinha algo errado. Perguntei a um casal que vinha do outro lado se este era o caminho da travessia, mas eles disseram que voltavam da Cachoeira do Lajeado. Me mostraram um mapa e eu identifiquei que a trilha da travessia deveria ser antes. Resolvi voltar para a terceira porteira e achei uma discreta trilha para subir a serra.

De longe se pode ver essa trilha branca que marca a serra


  
A vegetação do lugar é exótica e diferente


A trilha sobe marcada pelas pedras brancas erodidas entre o verde da vegetação. De vez em quando vale a pena parar e olhar para a paisagem atrás: a Lagoa da Lapinha vista de uma perspectiva diferente. A trilha segue até chegar numa pequena capela feita de pedras. Ao passar pela capela, na próxima bifurcação, o caminho da travessia segue pela esquerda, sempre em direção ao paredão rochoso.

 
Lá do alto, a vista da lagoa é uma das visões mais marcantes da travessia


Desta perspectiva o reflexo da luz do sol é o destaque no espelho da água


Capela de pedras no meio da subida da serra


Oferendas e objetos colocados dentro da capela


ANTIGOS PASTOS DA SERRA DO CIPÓ

Ao chegar em cima da serra uma surpresa: existem campos infinitos de pasto. Este local é parte da Serra do Espinhaço, nome dado talvez pelas placas de pedra que lembram espinhos de longe. A trilha segue beirando de longe a serra. Outro marco incomum é uma cruz enfeitada por laços coloridos ao longo da trilha.

Em cima da serra existem campos abertos sem sinal de civilização


Placas de pedra achatadas e espalhadas pelo local


As pedras achatadas criam um efeito de espinhos para quem olha de longe


Vista dos campos infinitos a partir da serra


Neste mesmo local isolado se encontra um cruzeiro


A cruz é todo enfeitado de laços e retalhos de pano colorido


A trilha continua através dos pastos e a serra vai se distanciando. De longe é possível ver gado, mas não há sinais de presença humana. Se chega numa porteira que divide os pastos. Atravessei a porteira e passei por um solo em erosão em que se pode ver a constituição do solo.

A trilha segue pelos longos pastos sem vestígios de pessoas


Depois de chegar em uma porteira, o solo mostra sua erosão


Depois de caminhar mais algum tempo no isolamento total, se chega no primeiro sinal de existência humana. Uma casa com um pequeno curral, porém totalmente desabitada. Para continuar a trilha é preciso passar por dentro deste curral e atravessar um córrego que passa atrás da casa.

Casa abandonada com um pequeno curral que oferece passagem abrindo sua porteira


Vestígios de que aquele curral é usado em algum período


Córrego raso e de águas límpidas que passa atrás da casa 


CHEGADA NA PRAINHA

Depois de cortar andando pelos pastos seguindo o GPS, enfrentar uma dor de barriga, chupar limão pensando que era laranja e passar por mais uma cerca de arame farpado, enfim cheguei na Prainha já quase anoitecendo. A Prainha se forma no leito do Rio Parauninha que possui areia formada pela pedra branca desgastada. Nessa área existem locais de acampamento que são proibidos atualmente por estarem destruindo a mata, principalmente pelas fogueiras, retirada de lenha e lixo largado. 

As margens do Rio Parauninha com areia
                                                                                                       

A pedra branca da montanha criou uma grande faixa de areia


Como eu não ia fazer nenhuma atividade predatória e destrutiva, acampei por ali mesmo montando a minha barraca num local protegido pelas árvores. Antes de dormir saí para coletar água no rio e vi uma luz forte vindo por trás das árvores. Pensei que era um poste de luz e quando fui ver era algo incrível: a lua! Nunca havia visto a lua fazer um efeito tão claro, tinha até sombra.

Montei a barraca no lugar de um antigo acampamento


A lua fazia até sombra da forma que iluminava a noite




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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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