Trilha do Funicular: Como Planejar a Travessia?

Tudo o que você precisa saber sobre essa trilha



A Trilha do Funicular é uma travessia que parte da cidadezinha de Paranapiacaba, município de Santo André-SP, e termina em Cubatão-SP. São aproximadamente 12 Km de trilha pouco definida seguindo a linha de trem desativada do Sistema Funicular, passando por Casas de Máquinas, 16 pontes e 14 túneis, num percurso que dura de 10 a 12 horas. Por ser uma trilha profissional, com risco de acidentes, além de passar pela área da empresa MRS Logística, a trilha está proibida atualmente, sendo necessária a contratação de guia credenciado.

Mapa de Paranapiacaba (Clique para ampliar)


HISTÓRIA DO FUNICULAR

O Funicular foi um sistema para tracionar trens tipo "endless rope" que funcionou em Paranapiacaba. A jurisdição inicial era da empresa fundada na Inglaterra São Paulo Railway (SPR). Inicialmente o sistema foi utilizado para o transporte de café da cidade de Jundiaí ao porto de Santos.

A primeira linha do Sistema Funicular entrou em operação em 1867, onde 7,5Km de serra fora divididos em 4 patamares. Foi descontinuado em 1970 e onde passava o leito original deu lugar ao sistema Cremalheira que entrou em operação em 1974 e funciona até hoje.

Abaixo da antiga linha do funicular, passa o atual Sistema Cremalheira


A segunda linha do Sistema Funicular, paralelo à primeira e num nível mais alto da serra, foi construída devido à alta demanda nos anos de 1890, sendo a divisão da serra em 5 patamares de tração.

As duas linhas funcionaram juntas até a construção do Sistema Cremalheira no lugar da primeira, em 1974, fazendo com que a segunda linha do funicular se tornasse pouco eficiente, sendo esta última desativada em 1981. A linha desativada é o caminho da trilha que nos interessa.

Atualmente, a ferrovia opera na região através da empresa MRS que utiliza ainda o Sistema Cremalheira que tem esse nome por possuir equipamentos especiais de tração cremalheira-aderência, para fazerem as locomotivas se deslocarem no declive da Serra do Mar com segurança.

O Sistema Cremalheira-aderência pode ser visto na linha ainda ativa


Para saber mais da história do Funicular e conhecer sem perrengue, visite o Museu Ferroviário de Paranapiacaba.


PREPARAÇÃO PARA A TRAVESSIA

1) GPS - Como a maioria das trilhas complicadas, baixei a tracklog (percurso criado no GPS) na internet e utilizei o aparelho Garmin 62s para seguir o itinerário sem imprevistos. Obtenha os arquivos relacionados a essa trilha no site Wikiloc;

2) Material - Uma lista mínima baseada na minha experiência e necessidade seria: mochila pequena de uns 55L, barraca, saco de dormir, isolante térmico, kit primeiros socorros, GPS, lanterna de testa, máquina fotográfica, 2 litros de água, comida para 1 dia e saco para impermeabilização do material;

3) Roupas - Devido ao terreno de vegetação fechada e espinhosa, animais peçonhentos e metal com ferrugem, recomendo: botas, calça comprida, camisa de manga comprida, luva e chapéu. Não esqueça de levar roupa de frio para o pernoite, além de uma roupa reserva para dormir seco na barraca e trocar na volta para a casa; 

4) Previsão do tempo - Se fazer a Trilha do Funicular já é perigosa com tempo bom, imagina debaixo de chuva! Confira a previsão a partir de 5 dias antes da travessia planejada e, se no último dia tiver indícios de chuva, adie a sua aventura. Clique aqui para saber a previsão do tempo; 

5) Guia - Para fazer a travessia como manda a cartilha, recomenda-se contratar um guia credenciado pela Associação dos Monitores Ambientais de Paranapiacaba.

Placa atual no início da trilha


COMO CHEGAR EM PARANAPIACABA?

Eu fui com um grupo de amigos de carro do Rio de Janeiro até Paranapiacaba. Dividir as despesas do carro ficou mais barato, cerca de R$ 90 (ida e volta!). Para se ter uma idéia, só a passagem de ida de ônibus para SP era R$ 85. Mas para quem não tem essa opção de dividir um carro ou vai partir da capital paulista, segue o "passo a passo" para chegar no local de início da trilha:

Passo 1 - Se chegar de ônibus no Terminal Tietê, pegar um metrô para a Sé (quinta estação, direção Jabaquara) - Linha 1 (azul). Da Sé seguir para a estação do Bras (segunda estação, direção Corinthians-Itaquera) - Linha 3 (vermelha). O tempo estimado é de 25 min e o valor é de R$ 3,50 (ano de 2015);

Passo 2 - Do Bras, seguir de trem para Rio Grande da Serra (décima terceira estação) - Linha 10 turquesa D. O tempo estimado é de 55 min de viagem e não se paga a conexão.

Passo 3 - Do Rio Grande da Serra até Paranapiacaba. Saindo do terminal da CPTM e atravessando a linha do trem, deve-se pegar a direita e depois a primeira a esquerda e logo verá um ponto de ônibus.
O tempo estimado é de 20 min e o valor é de R$ 3,80.

Mapa de metrô/trem de São Paulo (clique para ampliar)


HOSPEDAGEM

Como eu fui de carro com amigos e comecei a trilha assim que cheguei, não foi preciso me hospedar na cidade. Mas se você tiver mais tempo e quiser reservar hospedagem em Paranapiacaba ou Cubatão, sugiro pesquisar as promoções neste link do Booking.com (reservando aqui no link você colabora com o blog A Mochila e o Mundo).


VOLTA DE CUBATÃO

Ao chegar em Cubatão, o retorno é feito através de um ponto de ônibus na rotatória logo que se sai da empresa de trem. A melhor opção é seguir para a rodoviária de Santos-SP, que possui mais opções de transporte. A linha que vai para lá é a 917. De Santos se pode pegar um ônibus ao Terminal Jabaquara em Sampa que tem ligação com o metrô.

Para quem vai de carro e deixa estacionado em Paranapiacaba, a coisa complica um pouco de transporte público. Aquela pequena cidade no alto da Serra do Mar não tem linhas regulares, sendo necessário chegar até Rio Grande da Serra e, de lá, pegar o único coletivo até Paranapiacaba. Outra opção mais prática é ir de táxi que cobra em média R$ 120 a corrida, podendo dividir até quatro pessoas se estiver em grupo, sai por R$ 30 e é bem mais rápido. Para chegar é só pegar um ônibus e descer na Praça Portugal.

Praça Portugal: principal ponto de táxi de Cubatão


DICAS PARA ENCARAR ESSA AVENTURA

- Altitude: O caminho possui pouca diferença de altura, sendo no geral uma leve descida com cerca de 800 metros de desnível;

- Vegetação: Começa com mato alto e termina em floresta. É preciso ter atenção para não pisar em buracos escondidos no caminho. Alguns trechos são cheios de cipós, galhos e espinhos, mas o que realmente incomoda é o "carrapicho" que existe em todo o percurso da trilha;

Carrapicho muito comum ao longo da trilha. Gruda no corpo todo!


- Aranhas: Existe grande quantidade de aranhas na região do Parque. Existem teias em toda parte e são mais vistas bem no meio da trilha. Creio que não são perigosas, mas uma picada pode inchar a região atingida;

Aranhas montam suas teias no meio da trilha


- Cobras: Também existem cobras na região, principalmente a jararaca (peçonhenta) e a caninana (não peçonhenta, mas agressiva). Inclusive cruzei com uma jararaca enrolada no meio da trilha, ainda bem que eu estava atento. Por isso, deve-se caminhar com atenção até mesmo nas pontes onde é comum achar relatos de cobras entre as vegetações ou debaixo dos trilhos;

Cobra encontrada bem na passagem da trilha


- Proteção: A maior parte da trilha tem sua vegetação bem fechada, por isso ela deve ser feita com roupa de manga comprida e calça. Além disso, o risco de cortar as mãos nos ferros corroídos sugere o uso de luvas para proteção.

Trecho de mato fechando o caminho


- Água: Há pontos de abastecimento de água mas, apesar de estar no alto da serra, lembre-se que a trilha está em São Paulo, muito perto da civilização, então não dá para confiar na pureza da água. Dois litros por pessoa é a média para se iniciar a trilha. Um artifício que costumo usar nesses casos é a pastilha de purificação (Clorin) que pode ser comprada nas farmácias. Pegue sempre a água corrente, nunca parada!

A represa d´água perto da 11ª Ponte é um dos pontos possíveis de obter água


- Telefonia: Em alguns trechos da travessia é possível obter sinal de celular, principalmente ao se aproximar de Cubatão;

- Lixo: Algumas pessoas infelizmente não tem educação e deixam o lixo pelo caminho na trilha. Ao planejar fazer a trilha, leve sempre um saco para recolher o lixo que for consumindo até achar uma lixeira no final;

- Ruínas: O que sobrou da antiga linha funicular é um dos grandes atrativos da trilha e nos faz voltar no tempo e imaginar como uma estrutura daquela funcionava antes de ser abandonada. Preste a atenção nos detalhes e viva a história!

Antigo tanque de concreto utilizado pelos funcionários do Sistema Funicular


A TRAVESSIA

Para saber cada detalhe dessa trilha na prática, sem precisar sair de casa e sem passar perrengue, leia o Post: Trilha do Funicular: Travessia Paranapiacaba x Cubatão

Desbravar essa trilha é uma aventura e envolve riscos


16 comentários :

  1. Da Hora, que nao falte essa oportunidade pra mim.

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  2. Eu gostaria muito de ir, se alguém for dá um toque :)

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    1. lucas, blz! eu e dois amigos, vamos descer a trilha! estamos procurando mais uma ou duas pessoas para descer também! se você estiver fim, manda um alô ai que combinamos certinho.

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Tô afim de ir. Se alguém tiver vontade da um toque.

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  4. Pessoal, até o fim de Fevereiro (2016) estarei fazendo essa trilha, se alguém tiver interesse, deixa o contato para combinarmos

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  5. Olá, tenho interesse em participar da trilha, e dependendo da data tenho mais 2 amigos com interesse! meu whats 011 95337-7816 Gabriel. Aguardo contato e obrigado

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  6. Disposto a encarar. Vou sozinho. Se arrumar companhia, vou nessa.

    11 962717548 - Paulo.

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  7. Nossa Muito show, diga-se ainda que sseu texto esta muito bem redigido, parabéns. sou louco para fazer esta trilha...

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  8. Que bom que gostou! Não perca essa trilha não, uma das melhores que já fiz.

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  9. Olá. gostaria de saber se ainda existe muito risco em fazer a trilha sem guia. è que seu post é um pouco antigo. Muita coisa mudou de lá até hoje?
    Rute

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  10. Olá! Gostei muito desta trilha e se ainda houver grupos que a fazem, por favor entrem em contato comigo através do e-mail (genilson_138@hotmail.com) pois assim como muitos de vocês, gostaria de poder ver de perto um pedaço dessa historia tão importante no desenvolvimento do nosso país e é claro apreciar esta natureza tão bela. Agradeço desde já a atenção. Att, Genilson.

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  11. Se alguém estiver afim de trilhara ela sábado esteto indo com mais dois amigos ! 11 987945966 chame no whats!

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  12. Tenho vontade de ir, amigos casados e amarrados não vão mais. Se alguem organizar algo gostaria de ir. Acha q é necessário pernoite ou da pra fazer a travessia em 1 dia? (bruninho.lopes08@gmail.com) Abs

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  13. Parabéns por divulgarem uma trilha perigosa,com pontes desabando, cheia de cobras sem ao menos sugerir o uso de perneiras, pelo jeito querem transformar a Funicular numa Cachoeira da Fumaça, cheia de bêbados, drogados e despreparados que cairão das pontes , morrendo e queimando a trilha, Ali não se entra sem conhecimento um monte de mané irá se perder, chamarão o COE, e Bombeiros, levando ao total fechamento dela, que desserviço !!!!!

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Sobre o autor
Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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