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Chapada Diamantina: A exótica cidade de Mucugê

No sul da Chapada está um lugar que vale a pena conhecer


Terminada minha andança pelo interior do Parque Nacional, cheguei à noite na cidade de Mucugê localizada na beira da estrada BA-142 / BA-245. Além disso, àquela noite era uma data especial: dia 24 de dezembro (véspera de Natal).

Cheguei cansado, sujo, molhado e com o pé ferido, ou seja, tudo dentro do esperado. Perguntei num mercadinho que estava aberto onde eu poderia encontrar um Camping. A moça me indicou a hospedagem do Sr Elói e me explicou que ficava do lado do Banco do Brasil (sim, na cidade tem uma agência). 

Véspera de Natal na praça de Mucugê


Consegui encontrar a Estalagem Jardim do Éden, propriedade do Sr. Elói, e recebi a notícia de que o camping estava desativado. Dado o estado que eu me encontrava, peguei mesmo um quarto com cama, chuveiro com água quente e TV por R$ 30 a diária. 

A Estalagem Jardim do Éden (rosa)


Cenas do folclore da região nas paredes da estalagem


E para fechar a noite natalina, depois de um banho para tirar a lama do corpo, fui para um restaurante self service e enchi o prato. Descobri que tinha uma promoção em que se pode pagar R$ 28 e comer à vontade. Depois de passar 3 dias comendo alimentos de sobrevivente, peguei essa promoção (que não é barata na minha opinião) e comi pelos 3 dias.


A PEQUENA E ORGANIZADA CIDADE

Dia 25 de dezembro. Em pleno Natal eu fui explorar a pequena cidade de Mucugê. A característica exótica começa pelo nome Mucugê, derivado de uma planta. Um acontecimento que me marcou foi que, ao estar caminhando pela cidade, chegou uma garotinha de uns 5 anos e me desejou Feliz Natal. Achei que fosse coincidência, mas logo depois um senhor passou e também me desejou isso. Além de ter um povo bem amistoso, sua arquitetura é considerada uma das mais bonitas e conservadas da Chapada, sendo um ambiente bem preservado, organizado e limpo.

Cidade da "época de ouro" da mineração


Relatos de antigos dizem que Mucugê chegou a uma população 30 mil pessoas


A cidade de Mucugê é uma das mais antigas da região da Chapada Diamantina, tendo ocupação anterior indígena, foi fundada no fim do século 18. Tem como característica os antigos casarões coloniais de estilo português. Foi centro comercial no século 19 quando a economia vinha da mineração de ouro e diamante. 

Mapa turístico que se encontra pela cidade (clique e amplie)


Restaurante que passei minha "ceia de Natal"


Devido a altitude de cerca de mil metros, o clima da cidade é bem fresco e agradável, principalmente à noite. Devido a altitude de cerca de mil metros, o clima da cidade é bem fresco e agradável, principalmente à noite. 

Hoje em dia a cidade tem um pouco mais que 15 mil habitantes


A igreja matriz de Mucugê


Fora da cidade está o Parque Municipal de Mucugê, onde acontece o Projeto Sempre Viva, numa área de 270 hectares em que se realizam atividades de educação ambiental, proteção da flora, geoprocessamento e confecção de mapas, além de outras pesquisas em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana. Se localiza a 5 Km pela estrada de asfalto na direção de Andaraí.


PRAÇA DOS GARIMPEIROS

Outra atração da pequena cidade é a recente Praça dos Garimpeiros que tem esse nome em homenagem àqueles que iniciaram a construção da cidade. Diz a lenda que o primeiro diamante da região foi encontrado em 25 de junho de 1844 por Cristiano Pereira do Nascimento, afilhado de José Pereira do Padro, ou "Cazuza do Prado", um grande coronel da região. A pedra teria sido acidentalmente achada no leito do riacho das Cumbucas enquanto Cristiano lavava as mãos.

Portal de entrada na Praça dos Garimpeiros


Na praça existe espaço para a realização de eventos públicos e é rodeada de pequenos bares e restaurantes, sendo movimentada à noite (movimento de cidadezinha!). A comida aqui é mais popular e barata.

No centro da praça, um palco com área para público


Restaurantes e barzinhos ao redor


O CEMITÉRIO GÓTICO BIZANTINO

Uma das atrações mais exóticas da Chapada Diamantina está em Mucugê e pode ser considerada um ponto turístico bizarro. O Cemitério Santa Isabel é conhecido popularmente como o "Cemitério Gótico Bizantino" devido a sua arquitetura diferente.

A própria placa faz referência ao cemitério como bizantino (que não é)


Um dos cemitérios mais exóticos do mundo está na Chapada Diamantina


Localizado nos pés do morro do cruzeiro, diz a lenda que o cemitério foi criado devido a um surto de cólera no qual morreram vários habitantes da cidade. Naquela época não se podia enterrar fora da igreja e, no entanto, a quantidade de corpos era grande. Na impossibilidade de construir novas igrejas, fizeram os túmulos em formato de pequenas igrejas, resolvendo assim o problema (!).

Calangos macabros guardam a entrada do cemitério


Em alguns pontos eu senti o cheiro ruim dos corpos em decomposição


Os túmulos estão alinhados horizontalmente na encosta da Serra do Sincorá e foram construídos com tijolos rebocados e pintados com cal. Na verdade, essa arquitetura estranha não é bizantina (período 667 a 1.453 d.C.). Essas fachadas inspiradas em igrejas são adornadas de pináculos (elementos em forma de pinos), volutas e arcos.

Pináculos, volutas e arcos


Contrastes entre as as igrejinhas brancas e as pedras da Chapada


Entre a estrada e a serra, o local teria sido escolhido para a construção devido a sua posição elevada, protegendo dessa forma os mananciais e lençóis d'água da região. 

A vista da cidade do alto do cemitério


Túmulo em formato de pirâmide. Por que essa construção destoa das demais?


O CARRINHO DE LEVAR BÊBADO

O exotismo dessa cidade não termina por aqui. Algo comum de se encontrar é uma espécie de carrinho para transportar aqueles indivíduos que exageraram na dose da cachaça. O carrinho, na verdade, é uma das marcas da cidade e tem uma presença mais turística do que prática, mas não duvido que seja bastante utilizado.

O carrinho para transportar bêbado


Depois de explorar a cidade de Mucugê, eu voltaria mais uma vez para as terras selvagens da Chapada, dessa vez tentando achar o caminho de uma conhecida cachoeira daquela área: a Cachoeira do Cardoso. Como sempre, a trilha virou uma aventura quanto eu resolvi encontrar uma segunda cachoeira sem guia e sem ter o itinerário no GPS.


MAPA DE MUCUGÊ

Clique no mapa e explore a cidade:





MEU ROTEIRO



Roteiro completo: MISSÃO CHAPADA DIAMANTINA





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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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