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Chapada Diamantina: A Cachoeira da Fumaça

A queda d´água que faz jus ao nome 


Uma das maiores atrações da Chapada Diamantina é a Cachoeira da Fumaça que tem esse nome por ser tão alta que suas águas se espalham em gotículas antes de chegar ao solo, fazendo o efeito visual de fumaça.

Possui cerca de 340 metros de altura mas, apesar de ser alta, está bem longe da maior do mundo: Salto Angel, na Venezuela, que mede 979 metros de altura. Eu ouvi por mais de uma vez na Chapada, e você pode ouvir também, que a Fumaça é a segunda maior do mundo. Está errado. A segunda maior cachoeira do mundo está na África do Sul. A Cachoeira da Fumaça é, na verdade, a segunda maior do Brasil, ficando atrás apenas da Cachoeira do El Dorado, no Amazonas (353 metros).


PONTO DE PARTIDA DA TRILHA

É possível conhecer a Cachoeira da Fumaça por baixo, num trekking de 3 dias a partir da cidade de Lençóis. Já a parte de cima, que permite o visual de toda aquela altura, é acessada pelo Vale do Capão, por uma trilha de aproximadamente 6 Km (média de 2h de trilha para chegar).

Mapa da trilha a partir do Vale do Capão


Para chegar lá a partir da Vila de Caeté-Açu deve-se seguir a estrada em direção a Palmeiras por cerca de 1,5 Km. Chegando no ponto onde existe uma torre de telecomunicações ao lado de uma igreja, é onde começa a trilha. A entrada é do lado de um banheiro público.

Estrada para Palmeiras. Ainda sendo assentado o piso de paralelepípedos ("modernidade")


 A torre de telecomunicações ao lado da igreja, cerca de 1,5 Km da Vila de Caeté-Açu


Início da trilha ao lado do banheiro público


TRILHA DA FUMAÇA POR CIMA

No início a trilha está a sede da Associação de Condutores do Vale do Capão. É necessário passar por lá para registrar os dados num livro de controle. Lá também é possível contratar um guia habilitado para quem interessar (eu, particularmente, não gosto de guias, prefiro me aventurar sozinho). A trilha é de graça, mas a associação vai pedir uma doação. Normalmente o pessoal doa uns R$ 5 por cabeça. Acabei doando R$ 10, afinal eu não tinha troco. 

ACVVC - Associação de Condutores de Visitantes do Vale do Capão


É bom dar uma olhada na placa em frente a sede da associação. Nela existem algumas recomendações para a trilha, principalmente no que se refere à segurança de quem se aventurar.

Placa com recomendações para a trilha da cachoeira


Detalhe do jardim feito com long neck da Heineken


SUBIDÃO

Alguns metros a frente do início da trilha começa a subida. Essa é talvez a parte mais cansativa mas a trilha é bem visível, sem chances de se perder. A subida vai ficando íngreme e dá para se ter um belo visual do Morrão e da planície da Campina. A parte mais íngreme tem um desnível de 330 metros e é dividida em 3 patamares. Algumas partes mais difíceis foram calçadas para a passagem do gado que era levado para os pastos naturais de cima. 

Escadaria usada para transportar gado no passado


O "Morrão" ao fundo


A trilha foi traçada pelos garimpeiros para chegar nos rios Palmital e Capivara. A medida que vai subindo é possível ver a mudança da vegetação que varia de acordo com a altura. Também se pode ver o relevo bem definido que forma o Vale do Capão e as casas das pequenas vilas. 

Vegetação de altitude


Folhas mais grossas e resistentes


De cima se pode ver o Vale do Capão e a Serra do Rio Preto


Mais uma espécie diferente do que estamos acostumados a ver lá embaixo


CURRAL E GERAIS

Quando termina a subida, a trilha vai se aproximando ao paredão de pedras. Lá, ela entra por uma mata curta, com solo arenoso, até chegar numa muralha de pedras. Depois dessa muralha começa o curral e a trilha vai seguindo em direção leste. 

Depois do curral a trilha se estende por 3 Km


O curral é composto por um campo rupestre repleto de bromélias, cactos e orquídeas além de uma diversidade biológica de até 30.000 sementes por m2. Aqui começa um platô com cerca de 3 Km com a vegetação conhecida como "gerais", neste local se tem que ter atenção, pois em alguns pontos de pedra no solo a trilha parece se bifurcar. Neste ponto eu cheguei a sair da rota, mas percebi pois existe um paredão de pedras à esquerda (um pouco distante). Como eu estava com o GPS, chequei o trajeto e voltei para a trilha. É só ficar atento.

Uma das espécies vegetais do grande platô que já foi utilizado como curral


Nesse meu primeiro contato com os gerais, percebi que o solo permanece bastante alagado, talvez porque a água não seja absorvida bem pelo solo que, na verdade, é feito de pedra embaixo. Até dá para andar na trilha alagada, até que a trilha chegou num ponto totalmente alagado. Tentei achar alguma passagem seca ou pedras para transpor aquilo, mas não havia. Nesse momento, um grupo guiado me alcançou e eu percebi que o caminho era mesmo por dentro d´água.

O guia "puxou o bonde" para dentro d´água


Parecia alagado, mas esse era um dos afluentes do Rio da Fumaça, que forma a cachoeira


A água escura da Chapada faz um efeito bem particular


Depois de uma trilha por dentro de uma vegetação mais fechada, enfim se chega no último obstáculo antes de se chegar no mirante da cachoeira: o próprio Rio da Fumaça. O trecho que se faz a travessia é bem tranquilo e existe uma corda para auxiliar. Dá para passar pisando nas pedras.

Travessia tranquila do bonito trecho do Rio da Fumaça


A CACHOEIRA DA FUMAÇA

A vista dos cânions é espetacular, mas o que faz essa cachoeira especial é a vista de seu mirante. São algumas lajes de pedra a esquerda da cachoeira que se projetam da montanha, fazendo um efeito visual inacreditável quando se deita na pedra e se debruça sobre o abismo. A sensação é de que se está voando.

O mirante que fica na margem esquerda da queda d´água é um dos pontos mais famosos da Chapada


Um guia comentou que é proibido fazer rapel dessa cachoeira pois já morreu uma menina que acompanhava um grupo profissional mas, ao descer com uma corda de 200 metros, não conseguiu travar e acabou caindo, provavelmente pelo peso da corda. Contou também que existe casos de suicídio de namorados frustados e que o homem conhecido como "Sabiá", famoso por saltar de montanhas usando aquela roupa com asas (wingsuit), também já se aventurou por ali, mas não gostou muito da experiência devido aos ventos instáveis que entram pelos cânions.  

São 340 metros de queda


O Rio da Fumaça ejeta suas águas em direção aos cânions


O "efeito fumaça" que a água da cachoeira faz ao cair dessa altura


O mirante está entre 420 e 450 metros, dependendo do exagero do guia (eu ouvi várias versões dos que estavam por ali). O problema é disputar espaço na pedra individual que mais se projeta. Também é engraçado ver o medo extremo de alguns que tem que chegar na beira com o guia segurando os pés para dar certa confiança, e a coragem sem noção daqueles que sentam na beira (antes que me chamem de doido, estou falando bem mais na beira do que na foto abaixo ok?).

Não há nada debaixo dessa pedra, só uma queda de 450 metros


Deitar na pedra e abrir os braços dá uma sensação de que se está voando


Para se aproximar da beira, se recomenda ir deitado para evitar vertigens e acidentes


Segui pela direita do mirante e fui beirar o rio para ter noção do ponto que a água começa a queda. Este ponto é mais vazio de pessoas mas também garante uma boa vista do abismo e excelente fotos. 

Ponto onde o rio acaba e começa a cachoeira


Achei uma pedra que permite mais uma vista vertiginosa do abismo 

Na pedreira que fica de frente para o mirante também é possível ter um vista legal daquela maravilha. Retornei até o Rio da Fumaça e o cruzei de novo. Ao invés de seguir a trilha de retorno, segui em direção à cachoeira, dessa vez pela outra margem. Alguns metros a frente, depois de passar por grandes lajes de pedras, cheguei na beira do abismo e sentei para me despedir daquela vista.


Pessoas como formigas no meio das pedras no paredão oposto ao mirante, chegando pela outra margem do rio



Não havia ninguém do lado oposto ao mirante, aproveitei para observar aquela paz


Concluída a missão voltei pela mesma trilha. Cheguei umas 17h30 na sede da associação de condutores e quase não encontraram meu nome no livro de controle, da página que ele estava só faltava eu retornar. 

Cruzei as mesmas trilhas alagadas para retornar ao Vale do Capão


Enfim anotei minha chegada no livro e segui andando para a Vila de Caeté-Açu, mas ainda consegui uma carona de um grupo que estava la na cachoeira. Ao me ver com o GPS pendurado um rapaz do grupo me perguntou se era um telefone via satélite (!).





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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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