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Egito: Abu Simbel, um dos mais belos templos do passado

Uma das maiores maravilhas do Egito


Uma das maravilhas do Egito Antigo está num dos locais mais remotos daquele país e nome dela é Abu Simbel. O complexos de templos quase foi inundado pelo lago formado com a construção da grande barragem de Aswan. Nos anos 60, a UNESCO organizou uma grande força-tarefa com a ajuda de vários países para desmontar o templo e montá-lo em local seguro, este que está até hoje.

Para chegar lá, o jeito é contratar uma agência de turismo para o traslado de ônibus ou van. Outro meio mais caro é pagar um vôo até o aeroporto de Abu Simbel.

Um terceiro meio, não recomendado por alguns, é combinar o tour direto com um taxista de Aswan. Dizem que alguns taxistas mal intencionados param o táxi no meio do deserto e forçam a pessoa a pagar mais do que o combinado ou são deixadas por lá mesmo. Se é lenda urbana ou real eu não sei, mas já ouvi relatos semelhantes na região próxima ao Cairo.

No dia anterior, pesquisei os valores no Hotel Old Cataract e o funcionário me disse para fazer um tour com guia que era mais seguro. Tentei encontrar alguma agência que me levasse com algum grupo pois seria mais barato, não achei nada na cidade, até que me informaram sobre o Hotel Orchida, o qual organizaria excursões. Como já estava escurecendo e a localização desse hotel era um pouco escondida, resolvi combinar no próprio hotel que eu estava, porém somente o transporte. Mesmo não sendo um táxi de rua, mas sim um serviço de transporte exclusivo, o mesmo funcionário que havia me orientado a fazer o tour com guia, disse que o hotel não se responsabilizava por esse transporte. Como eu não gosto de guia (muito menos ter que pagar por isso) eu arrisquei!

Ramsés II, o terceiro faraó da XIX dinastia egípcia


Agora uma dica para quem quer economizar e tem tempo: obtive a informação de que existe ônibus que opera entre Aswan e Abu Simbel. Seriam da empresa Upper Egypt Bus Co. e da El Gouna.

Parte do terminal de ônibus (Aswan) às 07h00 e chega em Abu Simbel às 10h00. O retorno é em frente do Restaurante Wadi El Nile (Abu Simbel) às 13h00 e chega em Aswan 16h00. Eu não confirmei essas informações porque meu roteiro estava apertado e eu não poderia arriscar a perder a ida até Abu Simbel naquele dia. 


COMBOIO ARMADO E ADRENALINA 

Às 03h00 da manhã o serviço do hotel ligou para o meu quarto e me acordou. Era o início da aventura para chegar em Abu Simbel. 

Este templo (que na verdade são dois) fica localizado no extremo sul do território egípcio, a cerca de 260 Km da cidade de Aswan e do ladinho da fronteira do turbulento Sudão. Há, inclusive, uma missão de paz da ONU naquele país, a MINUS (Missão das Nações Unidas no Sudão), que tem a finalidade de fazer cumprir um acordo de paz assinado em 2005 mas que até hoje não cessou o conflito. Existe cerca de 10.000 militares nessa missão, alguns deles cruzariam meu caminho em outra ocasião, mas isso eu conto depois.

Em 2008 foi sequestrado um grupo de 11 estrangeiros naquela região. Os turistas acabam virando alvo de grupos que buscam a atenção internacional, sejam participantes do conflito no Sudão ou radicais islâmicos no Egito. Por isso, é obrigatório o deslocamento das agências de turismo em comboios organizados pelos militares. Além disso, diversos Check Points (Pontos de checagem no estilo blitz) são distribuídos ao longo do percurso.

Leia aqui a notícia do sequestro dos turistas veiculadas no Estadão.

Todas os veículos das agências de turismo, os táxis e os carros se reúnem em determinado ponto de Aswan e, sob o controle do Exército, passas as informações da quantidade de passageiros. Então, às 04:00 a.m. seguem todos veículos escoltados até Abu Simbel.

Comboio se reunindo às 03:30 da manhã em Aswan


O meu táxi saiu normalmente junto com o comboio mas, logo no início, desviou a rota e foi por outro caminho. Como eu já saí desconfiado pensei que ele estava partindo sozinho, mas apenas seguiu por um caminho mais íngreme dentro da cidade que os ônibus não conseguiriam subir. Mais a frente se uniu novamente no comboio. O dia então foi clareando na deserta estrada que não havia nada ao seu redor, exceto redes de alta tensão. 

Percebi que os veículos estavam sendo conduzidos de forma estranha. Cada motorista assumia a frente do comboio por certo tempo, provavelmente para quebrar a monotonia da estrada e não dormir no volante. Parecia um balé coreografado para mudar de posição no comboio.

As viaturas seguiam como num balé pela estrada desértica


Um dos Check Point do Exército Egípcio


Um fato interessante é que em qualquer lugar do inóspito deserto o sinal de celular funcionava normalmente, muito diferente do serviço prestado aqui no nosso Brasil. Isso porém me deixou intrigado com o comportamento do motorista, de tempos em tempos ele falava com alguém no celular. Eu já estava bem desconfiado até que passou um carro do lado dele e ele falou algo pelo retrovisor lateral. Não sei até agora o motivo disso tudo, mas acho que era coisa da minha cabeça, pois nada aconteceu.

Enfim o sol nasce no deserto


OS TEMPLOS COLOSSAIS

Por volta das 08h00 da manhã o comboio chega na pequena cidade de Abu Simbel, com ruas planejadas, diferente das demais cidadezinhas do interior egípcio. É claro que foi projetada para apoiar o turismo na área em que os monumentos foram transportados. Existe até a um pequeno aeroporto.

Assim que o comboio chegou e os veículos estacionaram junto a um pequeno centro de visitantes, com bares e tendas de vendas de lembranças, aproveitei a morosidade dos turistas e segui direto para a bilheteria para ser um dos primeiros a chegar e encontrar os templos vazios.

Enquanto dos turistas ainda desembarcavam e recebiam orientações do guia, acelerei para encontrar os templos vazios


Depois de passar minha bolsa no aparelho de raio-x, atravessar o detector de metais e ser questionado da minha nacionalidade (procedimento comum em quase todos os pontos turísticos, mas os egípcios já abrem um sorriso quando descobrem que é brasileiro), segui para a bilheteria.

O valor da entrada na época foi de 115 EGP por pessoa. Dei uma nota alta na bilheteria, o atendente deu uma enrolada e me entregou o bilhete com troco a menos. Olhei para a cara dele e ele disse que estava tudo certo. Já me estressei, fiz cara de mau e disse o valor da nota que eu havia dado. O malandro então me entregou o troco.

Depois de caminhas alguns metros em direção ao Lago Nasser, lá estava um dos templos mais magníficos de todo o Egito.


O TEMPLO DE RAMSÉS II

É realmente um dos pontos altos da viagem ao Egito. Por mais bonitos que sejam os outros templos, esse em particular se destaca pela grandiosidade e ousadia de Ramsés II. Foi todo feito em rocha de arenito liso, sendo que qualquer falha destruiria a obra durante a construção.

A fachada tem 33 metros de altura por 38 metros de largura


As estátuas medem 20 metros


Uma das estátuas foi meio destruída por um terremoto ocorrido em 27 a.C.


Uma curiosidade é que, depois de centenas de anos desde a sua construção, o Templo de Ramsés ficou coberto pela areia e caiu no esquecimento até 1813 quando um aventureiro suíço, Jean-Louis Burckhardt, descobriu enterrado uma parte do topo dele. Ele levou essa informação a um explorador italiano, Giovanni Belzoni, que tentou frustradamente achar a entrada do templo na ocasião. Somente em 1817 conseguiu entrar e, dizem as más línguas, levou todos os tesouros que pôde carregar.

Ao lado direito da perna de Ramsés está Nefertari, a rainha preferida pelo faraó


Na base das estátuas centrais existe uma representação das divindades do Nilo


Outra curiosidade histórica é que, como forma de agradecer pela ajuda prestada pelos países que ajudaram a transportar o tempo de Abu Simbel de lugar, salvando assim da inundação, o governo egípcio presenteou com achados arqueológicos e templos desmontados alguns desses países. O santuário de Pedesi e Pithor de Dandur foi reconstruído em Nova York (EUA); a cabeça Akhenaton, achada em Karnak, está no Museu do Louvre (França); o Templo de Debod foi reconstruído em Madrid (Espanha); e duas estelas e rolos de papiros estão no Museu de Berlim (Alemanha).

Placa memorial a esquerda do templo que relembra a colaboração internacional para a reconstrução do templo


Diferente da maioria dos templos egípcios, em Abu Simbel não se pode fotografar o interior. Logicamente eu iria me arriscar para conseguir registrar aquelas maravilhas antigas. Veio então o perrengue! Comecei a fotografar escondido até que me aparece o vigia e me pede a câmera. Eu fingi que não entendi, afinal a câmera já estava no bolso. Ele continuou insistindo e eu me fazendo de desentendido, até que ele pegou o celular e disse que ía ligar para a polícia... neste momento entendi tudo! rs

Ele falou para eu mostrar as fotos. Mostrei e ele viu que tinham fotos do interior, ele então mandou apagar. Apaguei umas duas e fiz cara de coitado, falando que não faria isso de novo. O vigia me liberou sem exigir que apagasse tudo. 

Interior da entrada do Templo Maior com colunas em forma de Osiris (foto da internet)


Mais tarde, vi a chave do templo em formato de Ankh e achei interessante. Pedi para fotografar e o rapaz, ao lado daquele vigia, me pediu uma gorjeta. Mesmo contrariado, paguei 10 EGP e tirei a foto, afinal estava devendo. No decorrer da viagem eu percebi que essa proibição de fotografar, na verdade, é usada pelos vigias para ganhar um dinheiro extra, deixando o turista fotografar em troca de alguns trocados.

Fotos tiradas secretamente no interior do templo mostram cenas de rituais e oferendas


Os desenhos se encontram em bom estado, principalmente por terem sido restaurados na obra de transposição dos templos


O TEMPLO DE NEFERTARI

Este templo que fica do lado esquerdo do grande Templo de Ramsés II é mais discreto. É conhecido como o templo da Rainha Nefertari, a mulher preferida de Ramsés. Também é dedicado à deusa do amor Hathor. Existem 6 estátuas, sendo sempre Ramsés II, Nefertari, Ramsés II em cada lado, simbolizando diferentes situações.

No interior do templo, assim como no Templo de Ramsés, as paredes estão repletas de cenas de oferendas, mas o detalhe marcante é que os pilares são personificados como a deusa Hathor.

A fachada é composta por 6 estátuas de 10 metros de altura


Ramsés II, Nefertari e Ramsés II de novo (!)


 Todas as 6 estátuas com a perna esquerda mais à frente da direita em posição de marcha


Do lado esquerdo da entrada do templo, uma cena de Ramsés II em prece para a deusa Isis


MAPAS DO COMPLEXO

Abaixo alguns mapas do site PlanetWare para entender o posicionamento dos templos. Clique na imagem para ficar maior.




O LAGO NASSER

Outra maravilha que se pode admirar é o lago formado pela construção (entre 1958 e 1970) da represa e que inundou a região de Abu Simbel para resolver o problema da seca no Rio Nilo.  O curioso é que o lago nominado em homenagem ao presidente egípicio Gamal Abdel Nasser (responsável pela construção da represa e que morreu no ano de sua fundação), fica entre o Egito e o Sudão e é conhecido por Lago da Núbia no lado sudanês.


Abu Simbel e a cidade sudanesa Wadi Halfa são separadas pelo Lago Nasser (ou Lago da Nubia)


O Lago Nasser tem aproximadamente 550 km de comprimento e 35 km de largura


Ao horizonte está o turbulento Sudão


O RETORNO PARA ASWAN

Retornei para o ponto de reunião para embarcar no comboio previsto para sair às 10h00. O motorista havia me alertado que, caso eu me atrasasse, o táxi só poderia retornar às 15h00 no próximo comboio. Cheguei um tempo antes e aguentei a chatice de alguns vendedores para enfim retornar a Aswan sem problemas. 

Depois de toda a tensão do deslocamento, o taxista fez jus à gorjeta de 50 EGP



GASTOS (agosto 2014)

Transporte ida e volta - 600 EGP

Entrada no complexo de Abu Simbel - 115 EGP
Gorjeta para vigia do templo - 10 EGP
Gorjeta para mototista - 50 EGP



MEU ROTEIRO

Anterior: MUSEU DA NÚBIA

Roteiro completo: MISSÃO EGITO

Próximo: HOTEL OLD CATARACT


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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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